Revista Egitania Sciencia - Especial age comm Revista Egitania Sciencia - Especial age comm
O envelhecimento da população é um fenómeno global, com um evidente desenvolvimento na segunda metade do século XX, e que segue uma tendência irreversível com consequências económicas e socio políticas de longo alcance. O aumento da longevidade traduz uma história de sucesso. O triunfo dos avanços que se verificam diariamente em inúmeras áreas desde a saúde pública, à tecnologia passando pela evolução social e económica.
A maneira como pensamos e repensamos o envelhecimento na nossa sociedade tem sido, e continuará a ser, um tema importante para todos, e que deve ser estruturado numa visão multidimensional. É neste contexto que surge a Age.Comm – Unidade de Investigação Interdisciplinar – Comunidades Envelhecidas Funcionais, do Instituto Politécnico de Castelo Branco, que reúne num denominador comum um conjunto de investigadores de diferentes áreas científicas, desde as ciências sociais e do comportamento, educação, tecnologias da informação e comunicação e de várias especialidades das ciências da saúde, numa procura da compreensão do fenómeno do envelhecimento das populações, numa perspetiva sistémica, holística e sustentável. De dentro de um dos territórios mais envelhecidos de Portugal e da Europa, examina a história e o impacto deste envelhecimento na economia, demografia, ambiente, saúde e comunidade e a oportunidade proporcionada por intervenções que permitam aos indivíduos viver vidas mais longas e saudáveis.  A premissa subjacente é transformar a visão de uma vida saudável, longeva e frutífera em realidade, o que exige um amplo conjunto de intervenções comportamentais, ambientais, sociais, médicas e tecnológicas que já são atualmente conhecidas, assim como pesquisas sobre inovações futuras


Todos envelhecemos, a geração de hoje mais nova será a geração mais velha do amanhã. A preparação para uma sociedade que envelhece é uma oportunidade para fornecer melhores cuidados, garantindo que os sistemas de socioeconómicos, saúde e políticos sejam mais eficazes e responsivos aos desafios atuais e futuros. Com esta perceção em mente, e tendo em consideração a magnitude do choque demográfico, os custos expectáveis associados ao envelhecimento e de que forma este custo será distribuído ao longo das gerações, são algumas das premissas que muitas sociedades começam a colocar e, simultaneamente, a desenhar um conjunto de medidas de solidariedade social que possam ser uma solução inovadora e pragmática.
O envelhecimento da população é, em Portugal, acompanhado por uma saúde sustentada ou melhorada, por uma melhoria da qualidade de vida e com recursos sociais e económicos suficientes? Ainda não. E é neste cenário que surge a Age.Comm, que numa perspetiva diversificada pretende reestruturar a normativa investigativa que estuda as repercussões deste fenómeno, o que exige um renovar de intervenção e de planeamento aliados a uma capacidade cada vez mais assertiva adaptativa/funcional por parte das comunidades. O foco está direcionado para o território do interior que atualmente concentra os picos demográficos mais envelhecidos, mas também de forma inclusiva ampliar para os demais territórios que indubitavelmente acompanharão  esta evolução demográfica. No epicentro da Age.Comm assenta então, a formalização de uma estrutura académica e a sua aliança a uma necessidade político-social, biomédica e económica, objetando diretamente às comunidades e aos seus decisores, com o estudo/desenho/construção de mecanismos e medidas que assegurem a funcionalidade individual dos idosos, assim como a sustentabilidade dos recursos das comunidades.
As sociedades estão de forma transversal comprometidas com a noção de que é necessário repensar a forma como entendemos o envelhecimento individual e comunitário e de que forma os sistemas sociais, políticos, económicos e de prestação de serviços de saúde estão aptos a responder e garantir o apoio ideal aos idosos, mas verificamos que estes sistemas são estáticos, pouco flexíveis e muitas vezes antiquados. Idealmente estes serviços deveriam estar em constante evolução, orientados por políticas nacionais e regionais diversificadas e dinâmicas, numa nova abordagem para organizar serviços que se centrem nas pessoas e que permitam o reconhecimento de vulnerabilidade com base em aspetos sociais, biológicos e ambientais.
O envelhecimento cria uma oportunidade nunca vista na história da humanidade, o de fazer uso de um potencial humano subutilizado. À medida que as pessoas vivem mais, os idosos acumulam experiência e conhecimento de uma forma que não era possível em eras anteriores, e pode, portanto, contribuir muito, ainda que não de uma forma a que estamos condicionados a perceber, como uma mais-valia.
O envelhecimento da população traduz-se em oportunidades para os indivíduos e para a sociedade. No entanto, como sucede com qualquer grande mudança demográfica, também exibe desafios e desatender a estes pode prejudicar os benefícios virtuais de uma vida com maior longevidade.
Neste contexto de diferentes e complexas questões e múltiplas problemáticas que importa abordar, avaliar e investigar num diálogo que se pretende que seja, cada vez mais descentralizado e multidisciplinar, que foi idealizado o  1º Congresso Internacional Comunidades Envelhecidas Desafios para o Desenvolvimento, organizado pela Age.Comm e que se realizou em Castelo Branco, entre os dias 14 e 16 de novembro de 2019.
O congresso estruturou-se num eixo quaternário cujos vértices se direcionaram para o Desenvolvimento Humano, Envelhecimento Ativo, Comunidades, Funcionais e Participação e Inovação, com a discussão e abordagem da responsabilidade de especialistas. A interdisciplinaridade, transdisciplinaridade e multidisciplinaridade das pesquisas sobre envelhecimento, apesar de sua vasta diversidade temática, metodológica e teórica, apresentaram um denominador comum, melhoria da qualidade de vida dos idosos e da funcionalidade das comunidades.
Os artigos integrados no presente número da Egitania Sciencia decorrem de algumas das 102 comunicações apresentadas neste 1º Congresso Internacional Comunidades Envelhecidas Desafios para o Desenvolvimento com múltiplas perspetivas, contextos e abordagens, quer de âmbito nacional quer internacional, dos processos de envelhecimento.

Lucinda Carvalho
Age.Comm (Unidade de Investigação Interdisciplinar – Comunidades Envelhecidas Funcionais/Research Building Functional Ageing Communities), Instituto Politécnico de Castelo Branco, Castelo Branco, Portugal. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0549-4666


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